- Senegal e Níger criminalizaram relações entre pessoas do mesmo sexo pela primeira vez.
- Juntas militares em Mali, Burkina Faso e Níger aprovaram novas leis anti-LGBTQ+.
- Campanhas anti-LGBTQ+ de grupos cristãos ocidentais apoiam esses movimentos.
Visão Geral das Novas Leis
Nas últimas meses, vários países africanos do oeste têm aprimorado ou introduzido legislação anti-LGBTQ+. Por exemplo, em março, Senegal dobrou a pena máxima de prisão para relações sexuais entre pessoas do mesmo sexo para 10 anos e criminalizou a promoção da homossexualidade. De forma semelhante, Níger recentemente proibiu relações entre pessoas do mesmo sexo pela primeira vez.
Oportunismo Político

Ativistas argumentam que essas novas leis são um caso de oportunismo político. Anthony Oluoch da Pan Africa ILGA observa que, em alguns casos, grupos religiosos e campanhas por 'valores familiares' têm apoiado essa legislação. Em Burkina Faso, a lei anti-LGBTQ+ foi formulada como uma forma de afirmar a soberania nacional contra influências ocidentais.
Impacto na Comunidade LGBTQ+
O impacto dessas leis tem sido severo mesmo antes de sua implementação. Por exemplo, em Senegal, 13 mulheres transexuais foram detidas sem julgamento entre junho e novembro do ano passado. Elas relataram ser espancadas por uma unidade militar que as presidiu. Após a aprovação da lei, pelo menos duas condenações ocorreram.
Influência Internacional
A influência de grupos internacionais é significativa nessa busca por leis anti-LGBTQ+. A Conferência Interparlamentar Africana sobre Valores Familiares e Soberania realizou suas três primeiras conferências anualmente em Uganda a partir de 2023, onde o death penalty foi aplicado para certos atos sexuais do mesmo sexo naquele ano. Essa conferência, agora se transferindo para Burkina Faso e Eswatini, é apoiada por grupos conservadores, ocidentais cristãos como a Family Watch International e o Christian Council International.
Consequências na África Ocidental
As novas leis estão agravando a situação para pessoas LGBTQ+ em toda a África Ocidental. Em Senegal, essas leis dificultam as tentativas de prevenção do HIV entre homens que têm relações sexuais com outros homens e mulheres transexuais, que apresentam maiores taxas de prevalência de HIV. Além disso, elas ameaçam advogados representando pessoas LGBTQ+. O encarceramento em Senegal aumentou a homofobia nos países vizinhos como Gâmbia.
Conclusão
A fortificação das leis anti-LGBTQ+ na África Ocidental reflete uma tendência mais ampla global e é alimentada por oportunismo político, campanhas internacionais e pressões locais religiosas. À medida que essas medidas se espalham, elas provavelmente terão consequências significativas para a segurança e bem-estar das pessoas LGBTQ+ na região.
Fonte: The Guardian






