- Brincos usados por Zendaya em uma pré-estreia de Odyssey levantaram dúvidas sobre a autenticidade e origem dessas antigas peças iranianas.
- A academia está pressionando pela transparência no histórico e legalidade desses itens, diante do crescente escrutínio sobre suas vendas e exibições.
- O comércio de joias é frequentemente envolto em segredos, com muitas peças possivelmente originadas de escavações ilegais ou assalto ao patrimônio.
- Dúvidas sobre propriedade e considerações éticas destacam os problemas complexos envolvendo a venda e exibição de antiguidades.
O Controvérsio em Torno dos Brincos de Zendaya
A atriz Zendaya, que está no filme Odyssey, recentemente despertou debates sobre a propriedade e origem das antigas peças iranianas quando usou brincos feitos com pedaços atribuídos à coleção Ziwiye em uma pré-estreia de fotografia em Londres. De acordo com o galerista Barron London, um galpão situado no Mayfair que detém a joia, essas plaquinhas de medalhões dourados datam do 1º milênio a.C. A controvérsia levantou questões sobre como celebridades modernas podem chamar a atenção para antiguidades e as considerações éticas envolvidas em sua propriedade.
Pressão Acadêmica e Requerimentos de Transparência
Romina Frohar, fundadora do Arquivo Forense do Irã, lançou uma petição pedindo que o galerista Barron London revele a proveniência completa dessas plaquinhas douradas, realize verificações de due diligence sobre seu status legal e permita uma avaliação independente. O Dr. Christos Tsirogiannis, um especialista em antiguidades no Escritório Federal da Cultura suíço, expressou sua surpresa pelo fato de que ninguém se opôs a Zendaya.

Frohar enfatizou que a apreciação cultural não pode substituir a transparência na origem. Ela declarou: 'O galerista Barron London descreveu o empréstimo como uma celebração da arte antiga persa, mas a apreciação cultural não pode substituir a transparência na origem.' Frohar também se preocupa com as implicações éticas de propriedade privada e conservação de tal patrimônio.
O Comércio de Joias: Uma Indústria Sombria
A indústria de joias que vendem antiguidades é frequentemente envolvida em mistérios. Muitas peças disponíveis para venda por meio de galeristas e leilões de Mayfair podem trazer sua origem de períodos significativos, como a máscara mumifícada egípcia do século 664-332 a.C. ou as brincos dourados helenísticos do século III a.C. Os preços começam em cerca de £ 450.
Os itens de joalheria da Barron London são apenas uma fração dos que estão disponíveis no mercado. Por exemplo, um galpão online oferece uma fibra de bronze com o fim parecido com um ibex que pode ter entre 3.000 e 3.500 anos e uma máscara mumifícada egípcia de cânhamos do século II a.C., feita de pingentes. Essas peças podem evocar períodos históricos significativos.
Considerações Legais e Éticas
A legalidade de estabelecer propriedade pode ser complexa, com muitos países agora reivindicando que objetos antigos encontrados pertençam ao estado. No entanto, as leis não são sempre retroativas, levantando debates sobre propriedade e implicações éticas. Por exemplo, a Koh-i-Noor foi entregue pelo Duleep Singh como parte de um acordo em 1849.
Especialistas como o Dr. Tsirogiannis enfatizaram que cerca de 90% das antiguidades no mercado eventualmente são comprovadas como ilícitas ou sem origem, sem documentação. Isso levanta dúvidas sobre a legitimidade de itens sendo vendidos e usados por celebridades.
Implicações mais amplas
Ambos os aspectos legais dos brincos de Zendaya podem nunca ser totalmente resolvidos, mas ilustram o problema maior de como celebridades modernas podem chamar a atenção para antiguidades. Por exemplo, quando Kim Kardashian usou um vestido dourado ao lado de uma caixa egípcia no Met Gala em 2018, os especialistas notaram o potencial para maior escrutínio e discussão sobre origem.
O controvérsio dos brincos de Zendaya sublinha a interligação complexa entre cultura moderna de celebridades, antiguidades históricas e considerações éticas. Enquanto os brincos podem ter adicionado um toque de estrelismo às joias antiga, também desencadearam discussões importantes sobre propriedade, autenticidade e venda de itens do patrimônio cultural. O destaque da atriz na joalheria pôs a luz no Irã enquanto promovia um filme que não tinha nada a ver com a antiga Pérsia.
Fonte: The Guardian






